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Ex-atletas mantêm espírito de competição depois de aposentados

Jornal de Sergipe Por Jornal de Sergipe
4 de dezembro de 2019
em Esporte
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Ex-atletas mantêm espírito de competição depois de aposentados
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Em 2008, o lendário atacante chileno Marcelo Salas anunciou sua aposentadoria dos gramados. Dentre as homenagens que recebeu, uma das mais marcantes foi a de Iván Zamorano, seu ex-companheiro de seleção.

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Em uma carta aberta publicada pelo jornal El Mercurio, Zamorano – que àquela altura já estava aposentado havia cinco anos – comentava sobre o quão difícil é para um jogador de futebol profissional abandonar os gramados. Principalmente, segundo ele, no que se refere a imaginar algo que poderia ter uma importância sequer parecida com o futebol. Talvez o chileno tenha escrito isso tendo em mente as palavras do ex-craque da Seleção Brasileira Paulo Roberto Falcão, que disse uma vez que “o jogador de futebol morre duas vezes”.

A bem da verdade, isso se aplica a praticamente qualquer atleta de alto nível. É só ver o quão complicado foi para lendas do basquete como Michael Jordan e Kobe Bryant decidir encerrar suas carreiras. E o que dizer do ex-boxeador Sugar Ray Leonard, que anunciou sua aposentadoria nada menos do que três vezes?

Assim, é normal que alguns ex-atletas acabem experimentando uma série de atividades muito diferentes entre si. Depois de abandonar o boxe, o sergipano Maguila, por exemplo, se enveredou pelo caminho de comentarista econômico, humorista, cantor e candidato a deputado federal, além de trabalhar na manutenção da sua ONG, Amanhã Melhor.

No entanto, muitos ex-atletas sentem falta de um ambiente de competição. Talvez seja por isso que, dentre os ex-jogadores de futebol, a grande tendência dos últimos anos venha sendo o pôquer. Pelo fato de a competição, nesse caso, não vir acompanhada das demandas físicas de outras práticas esportivas, essa modalidade é sedutora para qualquer ex-atleta.

O pôquer, assim como o xadrez, é considerado um esporte. A diferença é que se trata de um esporte da mente – não que ter um corpo em forma não ajude também. Isso faz com que essa modalidade possa ser praticada tanto no meio físico (em torneios como a Brazilian Series of Poker) quanto no meio virtual, visto que está disponível, assim como outros tipos de jogos de cassino online, em plataformas do segmento.

De um jeito ou de outro, trata-se de um jogo que requer um tipo de percepção das oportunidades bastante parecido com o que se espera de um atacante, ponto que é ilustrado de maneira clara quando verificamos quais são os ex-jogadores de futebol que se aventuram hoje no pôquer. Ronaldo, Denilson, o inglês Teddy Sheringham ou o sueco Tomas Brolin são apenas alguns dos nomes que podem ser citados nesse sentido, tendo sido todos eles jogadores ofensivos.

Ao mesmo tempo, vale mencionar que não são apenas os atletas aposentados que gostam de jogar pôquer. Jogadores como Neymar, Moisés e o espanhol Gerard Piqué, que ainda estão na ativa, nunca esconderam de ninguém o quanto desfrutam dessa modalidade de apostas. Piqué, sendo zagueiro, é provavelmente a maior exceção à regra mencionada no parágrafo anterior. O caso de Moisés, aliás, merece atenção especial. O ex-meia do Palmeiras, que atualmente joga no Shandong Luneng, da China, chegou a declarar que pretende levar o pôquer bem mais a sério quando se aposentar.

Pensar em como será vivida a aposentadoria antes de se aposentar é, de fato, uma decisão prudente para qualquer pessoa, mas, por se tratar de uma carreira curta mesmo para quem ainda tem fôlego para continuar, tal prudência talvez seja ainda mais necessária para jogadores de futebol e atletas em geral, o que talvez explique por que essas pessoas mantêm vivo o espírito de competição mesmo depois de aposentadas.

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