Mesmo após rompimento da Adutora do São Francisco que deixou 881 mil sem água por quatro dias, aumento na conta surpreende consumidores
A crise hídrica em Sergipe ainda tem reflexos na vida dos moradores da Grande Aracaju, após dois rompimentos consecutivos na Adutora do São Francisco.
A crise hídrica em Sergipe ainda tem reflexos na vida dos moradores da Grande Aracaju, após dois rompimentos consecutivos na Adutora do São Francisco. A tubulação que abastece os municípios de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Barra dos Coqueiros e parte de São Cristóvão quebrou na sexta-feira (12), deixando cerca de 881 mil pessoas sem água por quatro dias consecutivos. E, para a surpresa de ninguém, a conta chegou mais cara.
O primeiro rompimento ocorreu em Capela, cidade localizada a cerca de 100 km da capital, e, apesar do reparo realizado no domingo (14), uma nova ruptura na mesma região prolongou o desabastecimento, causando ainda mais transtornos. A Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) e a concessionária Iguá Sergipe trabalharam intensamente para restaurar o abastecimento, utilizando uma adutora alternativa de grande porte e enviando 82 caminhões-pipa para garantir o fornecimento de água em hospitais, escolas e outros serviços essenciais.
A normalização do abastecimento ocorreu de forma gradual e, até a terça-feira (16), a previsão era de que o fornecimento fosse restabelecido por completo. No entanto, enquanto a água voltava às torneiras da população, outro problema surgia: o aumento nas contas de água, que já eram altas devido à crise.
Moradores e comerciantes se mostraram indignados com o aumento das tarifas, que, em muitos casos, foram além do esperado. Bruno Dórea, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Sergipe (Abrasel-SE), destacou os desafios enfrentados pelos estabelecimentos durante a crise. Muitos precisaram recorrer a carros-pipa para manter as atividades em funcionamento, com custos que chegaram a R$ 700 por abastecimento. “Isso pode até comprometer o lucro de um final de semana inteiro de trabalho”, afirmou Dórea, refletindo o impacto econômico da crise no setor.
Além dos problemas imediatos, a situação expôs a fragilidade da infraestrutura hídrica da região, colocando em xeque o planejamento e os investimentos necessários para evitar novos episódios de desabastecimento. Com a população ainda esperando uma solução definitiva e compensações, a conta de água continua a pesar no bolso dos sergipanos.
